sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Uma Canção do Dia 5/12 FRAILE CORNUDO Miranda do Douro Galandum Galundaina


Fraile cornudo
Hecha-te al baile
Que te quiero ber beilar
Saltar i brincar

I andar por l aire

Esta ye la tonadica de l fraile

Busca cumpanha
Que te quiero ber beilar
Saltar i brincar
I andar por l aire


Deixa-la sola
Que la quiero ber beilar
Saltar i brincar
I andar por l Aire

Fonte  http://manuelcarvalho.8m.com/AFMIRANDES.html

A LÍNGUA MIRANDESA
Resposta PARA algumas perguntas

(Texto distribuído aos participantes do workshop de Língua Mirandesa, que teve lugar no Festival Intercéltico de Sendim, no dia 5 de Agosto de 2006, às 18 horas)



O que é o mirandês?

O mirandês é uma língua falada no Nordeste de Portugal, já DESDE antes da fundação da nacionalidade. Apesar de apenas em 1999, com a lei nº 7/99, de 29 de Janeiro, o mirandês ter sido oficialmente reconhecido COMO língua, Portugal foi sempre um país bilingue, embora até há bem pouco tempo fosse apresentado como o único país monolingue da Europa. Afinal, também aqui se confirmava a ideia de que o bilinguismo ou o multilinguismo dos países é a regra e não a excepção.


Onde se fala mirandês?
A língua mirandesa é falada em todas as aldeias do concelho de Miranda do Douro, com excepção de duas (Atenor e Teixeira), e em três aldeias do concelho de Vimioso (Vilar Seco, Angueira e Caçarelhos), no distrito de Bragança. A área ocupada pela região onde se fala o mirandês tem à volta de 500 km2 de superfície e situa-se na fronteira com a província espanhola de Zamora. O mirandês é também falado por muitos mirandeses que imigraram para as principais cidades do país ou que emigraram para o estrangeiro.
Na cidade de Miranda do Douro não se fala mirandês, segundo alguns autores desde o início do século XVII, mas a língua tem vindo a regressar à cidade através de pessoas das aldeias que, nos últimos anos, aí têm vindo a fixar residência. Também desde há alguns anos as crianças da cidade usufruem do ensino da língua mirandesa nas escolas públicas.
O espaço onde se falou mirandês ou outras variedades do leonês já foi bastante mais vasto, incluindo, em traços gerais, toda a zona do distrito de Bragança que se situa ENTRE a margem esquerda do rio Sabor e a fronteira com Espanha. Terá sido assim na Alta Idade Média, regredindo progressivamente em direcção à fronteira. Além do mirandês, outras falas astur-leonesas se mantiveram até há pouco tempo na zona fronteiriça do concelho de Bragança, em particular em Rio de Onor, Guadramil, Deilão e Petisqueira.
Apesar de já não se falar mirandês nessa região mais vasta, ainda pode falar-se de uma cultura comum, em particular na área correspondente à medieval Terra de Miranda.


Quantas pessoas falam mirandês?
Não existe um cálculo rigoroso do número de falantes de mirandês. No fim do século XIX, José Leite de Vasconcelos calculou que seriam 15 000 e esse número tem vindo a ser repetido, sem critério. Se outras razões não existissem, bastaria ter em conta a diminuição da população nos últimos 30 anos para que tal número não possa já ser aceite.  
Recentemente têm-se apresentado NÚMEROS que variam entre os 6000 falantes, contando apenas os residentes na região de origem, e os 10 000, contando também os imigrantes e emigrantes. Na fixação desses números tem-se também em conta o menor ou maior conhecimento da língua e o seu uso menos ou mais regular.
Independentemente dos números, refira-se que a extinção da língua mirandesa já foi anunciada por vários autores desde o século XIX, chegou até a dizer-se que não iria além dos anos 80 do século XX, mas a verdade é que ela continua viva.
Apesar de viva, a língua mirandesa tem vindo a sofrer alguma erosão, em particular desde meados do século passado. O facto explica-se, numa primeira fase com o impacto da vinda de milhares de falantes de português para construção das barragens do Douro internacional, Picote, Bemposta e Miranda do Douro, e depois com a generalização do ensino, da rádio e da televisão e, em geral, com a melhoria das condições de mobilidade das pessoas.
Hoje a língua mirandesa é ameaçada na sua sobrevivência tanto por factores internos, em particular a desertificação da região onde se fala e o enfraquecimento do modo de transmissão familiar, como por factores externos, em particular os resultantes da pressão exercida pelos meios de comunicação social, pela escola e pelos meios considerados de sucesso económico, em particular a empregabilidade.


Qual a origem da língua mirandesa?
A língua mirandesa tem a sua origem num dos romances que se formaram na Península Ibérica a partir do latim, o romance que deu origem à família de línguas astur-leonesas – onde a língua mirandesa se integra - , que se formaram a partir dos séculos VI-VIII. Essa era a língua do reino de Leão, com excepção da zona galaico-portuguesa. Nessa altura era a língua da corte e dos mosteiros, escrita em milhares de documentos até aos séculos XIII-XIV. Desde a sua fundação, a fronteira política de Portugal não coincide com a fronteira linguística. Sempre se falou outra língua em Portugal, além do português, a língua mirandesa. ESTA é, portanto, a justo título, uma língua de Portugal, elemento essencial da sua história, da sua cultura e da sua identidade.
Alguns autores procuraram demonstrar que o mirandês não era originário da terra de Miranda, mas se devia a colonização leonesa nos séculos XIII e XIV, quer pelos frades do Mosteiro de Moreruela quer por outros colonos leoneses. Porém, sabemos hoje que: essa colonização foi muito pouco profunda e se limitou a algumas aldeias da terra de Miranda; em documentos do século XII, relativos à terra de Miranda, já encontramos topónimos escritos numa língua com as características da língua mirandesa, COMO é o caso da doação do reguengo de Palaçoulo por D. Afonso Henriques, em 1172, a Pedro Mendes, L Tiu; que houve continuidade de povoamento da terra de Miranda DESDE antes da fixação dos romanos nesta região, habitada por uma específica tribo astur, os zoelas ou zelas.
A partir da criação da vila de Miranda, em 1289, mas sobretudo a partir do século XVI com a elevação de Miranda do Douro a cidade e a criação do bispado (1545), a língua mirandesa enveredou por caminhos que lhe fizeram ganhar características próprias no conjunto das línguas astur-leonesas, embora sem pôr em causa a sua pertença a essa família de línguas. As características próprias que o mirandês veio a ganhar exigem a sua consideração como língua, e não como mera expressão dialectal de alguma outra língua astur-leonesa.
Tal como a língua mirandesa, também outras línguas astur-leonesas ganharam algumas características próprias, de que é exemplo o asturiano, falado no principado das Astúrias e reconhecido como língua por estatuto do principado. Apesar das diferenças, essas várias línguas nunca perderam o ar de família que as continua a unir, quer em termos estruturais quer em termos históricos. É nessa base de reconhecimento dos laços históricos comuns, mas de aceitação das diferenças que os ventos da história lhe fizeram ganhar, que é possível restabelecer e desenvolver laços seguros ENTRE as várias línguas leonesas, sem menorizar quem quer que seja. Esse é um processo delicado, necessariamente lento, e que vai exigir ainda muito trabalho.


Como se deu o processo de menorização da língua mirandesa?
O desaparecimento do Reino de Leão privou a língua astur-leonesa de um centro de poder que permitisse a sua irradiação e, sobretudo, a sua uniformização e consolidação como língua, levando ao seu acantonamento progressivo nas zonas rurais.
Nessa situação, as línguas astur-leonesas, e também o mirandês, ficaram excluídas dos grandes movimentos culturais dos séculos XV-XVI, como o humanismo e o renascimento, que permitiram o enorme salto dado pelas línguas de poder, ditas nacionais, como o português e o castelhano. É por essa altura que se inicia ou acentua o processo de menorização dessas línguas, bem expresso, por exemplo, em alguns autos de autores teatrais do século XVI como Juan del Encina, em Espanha, e Gil Vicente, em Portugal, mas presente como tópico obrigatório em quase todos os autores desse tempo, incluindo Miguel de Cervantes. É por este período que culminam os processos de implantação das chamadas línguas nacionais, quer como línguas da administração pública, quer como línguas institucionais em geral. De grande eficácia institucional foi o chamado movimento para «rezar em lingoagem» (português), desencadeado e imposto pelas Constituições Episcopais, sobretudo nos séculos XV e XVI,  que impôs o português como a única língua digna de falar com Deus.
Sobretudo desde essa altura, o mirandês passou a ser considerado como fala de gente inculta, como «fala charra» ou «fala caçurra», objecto de chacota. A regra a seguir, por parte da quase totalidade dos mirandeses letrados, era abandonar a fala materna em FAVOR da língua «grabe», o português. Havia-se perdido o elo com a sua origem histórica, e essa perda de memória histórica levou a que lançasse raízes a ideia de que o mirandês não era uma língua outra, mas um português mal falado, uma mera variedade do português, própria de gente atrasada e inculta.
A mesma perda de memória histórica é responsável por tanta gente ter estranhado o reconhecimento, atravês de lei, do mirandês como língua. Também por isso, alguns ainda pensam que o mirandês nasceu como língua em 1999, mas a lei limitou-se a reconhecer o que já era uma língua há centenas de anos.


Porque se manteve o mirandês até aos nossos dias?
A maioria dos autores tem atribuido a manutenção da língua mirandesa a dois factores fundamentais: o isolamento em relação ao resto do país; a contínua e profunda relação com os povos do outro lado da fronteira, em particular das regiões de Aliste e de Sayago.
O argumento do isolamento não tem qualquer fundamento: por um lado a terra de Miranda não estava mais isolada do que as terras contíguas, onde deixou de se falar mirandês; por outro lado, a partir da criação do bispado de Miranda e da elevação de Miranda do Douro a cidade (1545), esta passa a ser um centro de poder e de cultura, com um número razoável de pessoas letradas e em estreito CONTACTO com o resto do país; fundamental é dizer-se que os mirandeses são, pelo menos, bilingues desde há vários séculos, isto é, falam o mirandês e o português, o que não sucederia se o isolamento fosse o que se diz.
O argumento do estreito CONTACTO com as regiões fronteiriças contíguas, sobretudo Aliste e Sayago, faz todo o sentido, já que se falava leonês dos dois lados da fronteira, pelo menos até fins do século XIX ou princípios do século XX.
A este argumento há a acrescentar o facto de o mirandês ser uma língua, isto é, dispondo de mecanismos geradores do seu desenvolvimento, geradora de forte consciência linguística e com capacidade de autosubsistência.
Por fim, há ainda que referir o sistema de uso diferenciado do português e do mirandês, de modo muito rígido, permitindo a subsistência e desenvolvimento de ambas as línguas em simultâneo. Este uso diferenciado, sobretudo a partir do século XVI, pode ser assim resumido: o português é a língua institucional e de contacto com elementos estranhos à comunidade; o mirandês é a língua da comunidade, quer nas relações sociais e familiares, quer nas relações de trabalho.


O mirandês é uma língua ou um dialecto?
As palavras «língua» e «dialecto» nem sempre têm o mesmo significado para os diversos autores. Porém, é geralmente aceite que uma língua se distingue de um dialecto pelo seu reconhecimento político, o aconteceu com o mirandês através da lei 7/99, de 29 de Janeiro, aprovada pela Assembleia da República. Tal significa que a distinção é colocada em aspectos externos à própria língua, o que diz bem da manipulação política, e até ideológica, a que aquelas palavras estão sujeitas.
Uma língua existe sempre que estejamos perante um sistema linguístico gramaticalmente perfeito e com características distintivas próprias, o que é reconhecido ao mirandês desde que, nos fins do século XIX, foi estudado por José Leite de Vasconcellos.
O uso da língua, independentemente do nome e qualquer que ela seja, é um direito fundamental que radica na dignidade de cada uma das pessoas que a falam, bem como da comunidade que através dela se expressa e se identifica. Esta é a questão essencial.


Quais são as principais características da língua mirandesa?
Apresentam-se de seguida apenas as principais características, sem as esgotar. Faz-se uma comparação com o português e com o castelhano, para melhor fazer ressaltar essas características, que nuns casos a diferenciam e noutros casos a aproximam de uma ou outra dessas línguas:
- o mirandês (salvo no dialecto sendinês) palatiza o ‘l’ inicial, o que não acontece em português nem em castelhano: lhuna – lua (port.), luna (cast.); lhana – lã (port.), lana (cast.);
- há uma série de ditongos crescentes que afastam o mirandês tanto do português como do castelhano: castielho – castelo (port.), castillo (cast.); tierra – terra (port.), tierra (cast.); fuonte – fonte (port.), fuente (cast.); buono– bom (port.), bueno (cast.); ferruolho – ferrolho (port.), cerrojo (cast.);
- o mirandês conseva o ‘l’ e o ‘n’ intervocálicos, que caem no portugês (mas não em castelhano): arena – areia; tener – ter; pila – pia; malo – mau;
- o ‘ll’ e o ‘nn’ duplos intervocálicos latinos palatizaram-se em mirandês, mas não em português: cabalho – cavalo; canha – cana.
É também de referir:
- o ‘f’ latino conserva-se em mirandês e português, mas não em castelhano: afogar-se – ahogarse; forno - horno;
- a nasal ‘ão’ portuguesa não existe no mirandês (salvo em um TIPO de casos no dialecto sendinês): son – são; pan – pão; armano – irmão.
- a inexistência de vogais altas átonas em início de palavra (ex. einemigo, inimigo; oufender, ofender; anganhar, enganar; anfenito, infinito);
- a inexistência do prefixo des-, reduzido a z- (ex. zamprego, desemprego; zaparecer, desaparecer) ou ç- (ex. çcascar, descascar; çclarar, declarar).
A isto há que acrescentar: uma conjugação verbal específica, embora o sistema verbal do mirandês seja semelhante ao do português; os artigos definidos (o) e la (a), os pronomes pessoais (you, eu) e possessivos (miu, meu;mie, minha, etc.); modos de tratamento de respeito, específicos e distintos; algumas palavras com género diferente (ex. la calor, o calor); advérbios e locuções inexistentes em português (ex. ende, sourtordie); uma sintaxe com várias características próprias; e bastante vocabulário distinto do português, apesar de haver uma grande continuidade lexical como acontece em todas as línguas de origem latina da Península.
Mas também há semelhanças entre o mirandês e o português, sobretudo o do norte interior, de que se destaca: um sistema de quatro sibilantes (por ex. pronunciam-se diferentemente cesta, sesta; maça, massa; cozer, coser; beiço, beiso; trás, traç); ausência de v, existindo apenas (ex. baliente, biaige).
Concluindo, pode dizer-se que o mirandês tem características próprias que o distinguem tanto do português como do castelhano e o filiam nas línguas asturo-leonesas, mas partilha igualmente semelhanças e infuências daquelas duas línguas, embora com predomínio da influência do português. Isso em nada afecta a sua autonomia e a sua estrutura perfeita como língua, não sendo uma mistura ENTRE aquelas duas línguas.


A língua mirandesa tem as mesmas características em todo o lado ou apresenta variedades?
Já José leite de Vasconcellos havia distinguido três variedades dentro do mirandês: o mirandês do norte ou raiano, que é falado em várias aldeias junto à fronteira (raia seca) com Espanha; o mirandês do sul ou sendinês, que é falado na vila de Sendim; o mirandês central que é falado nas restantes aldeias e que foi adoptado como padrão pela Convenção Ortográfica da Língua Mirandesa. Assim, como qualquer língua, e apesar do seu reduzido NÚMERO de falantes e da pequena área geográfica onde se fala, também o mirandês apresenta importante variação interna.
Das variedades do mirandês, a que apresenta diferenças mais sensíveis é o sendinês, que foi objecto da 1ª Adenda à Convenção Ortográfica da Língua Mirandesa. Em termos de ortografia, a convenção seguida é a mesma, apenas se permitindo que os sendineses, se o desejarem, possam escrever com l- em início de palavra em vez de lh- (ex. luna / lhuna, para a palavra ‘lua’). Outras distinções a assinalar, além de aspectos da sintaxe e do léxico: o tratamento de respeito é, no mirandês central e raiano, na 2ª pessoa do plural (Á tiu Antonho, bós stais an casa manhana a la purmanhana?), e é, no sendinês, na 3ª pessoa do singular (Á tiu Antonho, el stá an casa manhana a la purmanhana?); o sistema de ditongos crescentes, que ora desapareceram em sendinês, ora apresentam outras características; a queda do «g» depois de –i- tónico [ami(g)o, fi(g)o, tri(g)o], traço que também se verifica, menos regularmente, em outras aldeias como Constantim e em Paradela; a palatalização de «c» em –ico (ex. cachico) e de «g» em –ingo/inga (ex. demingo, spingarda), traço que também se apresenta em outras localidades, embora de modo menos regular.
O mirandês raiano, além de algum léxico específico, por vezes com influência castelhana, apresenta lo /la como artigo definido, em vez de l / la, e alguns traços similares ao sendinês, como a queda do «g» depois de -i- tónico.


COMO se dá a transição do mirandês de língua exclusivamente oral a língua também escrita?
A língua mirandesa manteve-se como língua exclusivamente oral até 1884, ano em que José Leite de Vasconcelos publicou o poemário Flores Mirandesas, a primeira obra escrita em mirandês. No último quartel do século XIX vários autores mirandeses publicaram obras em mirandês, em particular traduções de autores clássicos e de «Os Quatro Evangelhos», com destaque para Bernardo Fernandes Monteiro, Manuel Sardinha e Francisco Meirinhos. A escrita seguida por José Leite de Vasconcelos era muito complexa, visando expressar toda a riqueza da oralidade, mas um sistema de escrita mais simples foi apresentado por Gonçalves Viana, depois seguido por vários autores. Daí em diante a escrita da língua mirandesa oscilou entre aquelas duas propostas, até que em 1999 é publicada a Convenção Ortográfica da Língua Mirandesa, cujo projecto esteve em discussão DESDE 1995.
A Convenção Ortográfica da Língua Mirandesa foi elaborada, com o apoio de vários falantes, por estudiosos de mirandês e por linguistas dos Centros de Linguística da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Em 2000 foi aprovada a Primeira Adenda à Convenção Ortográfica e está em discussão pública a Segunda Adenda.
A Convenção Ortográfica da Língua Miranesa, e as suas Adendas, veio permitir uma crescente harmonização da escrita da língua, hoje seguida pela esmagadora maioria dos autores que escrevem em mirandês e adoptada no ensino do mirandês nas escolas.
A discussão e investigação em torno da escrita da língua mirandesa ainda não se pode considerar concluída, nomeadamente porque a Convenção Ortográfica e as suas Adendas não abarcam todos os aspectos relativos à escrita da língua. A edição de manuais de ensino, de uma moderna gramática do mirandês (já existe uma gramática publicada em 1900 por José Leite de Vasconcelos) e de um dicionário de língua mirandesa, são também materiais essenciais nesse percurso de normatização da língua.
           

Qual a situação do ensino da língua mirandesa?
O ensino da língua mirandesa iniciou-se em 1985/86, na Escola Preparatória de Miranda do Douro, com Domingos Raposo, aí se mantendo por vários anos, reduzido a duas turmas do 5º e do 6º anos.
Entretanto, o ensino foi regulamentado pelo Despacho Normativo, do Ministro da Educação, n.º 35/99, de 5 de Julho, na sequência da lei nº 7/99, de 29 de Janeiro. O ensino é considerado COMO opcional. Esta regulamentação do ensino sofre de graves deficiências, o que tem levado a uma diminuição do NÚMERO de horas lectivas (agora reduzidas a uma hora semanal), a um processo de colocação de professores com graves irregularidades, à ausência de apoio à formação de professores e à edição de materiais de apoio ao ensino, entre outros problemas. Aguarda-se um novo estatuto do ensino do mirandês, cuja necessidade já foi publicamente reconhecida pelos dois principais partidos, e para que já foram apresentadas propostas ao Ministério da Educação, que continua sem dar resposta a este problema, tão simples de resolver.
Já em 2000, o ensino estendeu-se às escolas primária e preparatória de Sendim, com Carlos Ferreira. Hoje a língua mirandesa é ensinada em todas as escolas do concelho de Miranda do Douro, da pré-primária ao 12º ano, como disciplina de opção, devendo-se essa expansão aos esforços iniciados por Carlos Ferreira e continuados e levados a bom termo por Duarte Martins.
A língua mirandesa tem sido também ensinada na UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (Pólo de Miranda do Douro), em cursos ministrados por Domingos Raposo.
Fora do ensino oficial têm sido realizados vários cursos, de diferente natureza, apenas se realizando de modo regular o ensino organizado pela  Associaçon de Lhéngua Mirandesa, em Lisboa, desde 2001, em cursos iniciados porAmadeu Ferreira e hoje também ministrados por Francisco Domingues e por Bina Cangueiro.


Existe uma literatura em língua mirandesa?
Sempre existiu uma riquíssima literatura mirandesa de tradição oral, nos mais diversos domínios da expressão popular: poesia, romance, conto, cantiga, oração, etc. Uma PARTE importante desse património está ainda por recolher e, sobretudo, por organizar e estudar. Parte importante dessa literatura é em português e em castelhano, mas um núcleo significativo é em mirandês. Só por desconhecimento dos organizadores se pode compreender que apenas um poema popular mirandês figure na antologia Rosa do Mundo, editada em 2000 e que pretende ser representativa da poesia mundial dos últimos 2000 anos. Essa literatura, a par de outros aspectos da cultura mirandesa, faz parte do património cultural da humanidade
A literatura escrita em língua mirandesa inicia-se em 1884, com a publicação do poemário de José Leite de Vasconcelos, Flores Mirandesas. Ainda no século XIX assistimos à publicação de poemas originais por Francisco Meirinhos, de traduções de Camões e de Antero de Quental por Manuel Sardinha, de Camões e dos Quatros Evangelhos por Bernardo Fernandes Monteiro. Já no século XX, António Maria Mourinho publica vários poemas em mirandês, depois reunidos no volume Nuossa Alma i Nuossa Tierra, a que se veio juntar mais tarde o poema Scoba Frolida an Agosto e outros poemas dispersos.
Este período, sem prejuízo do valor literário das obras produzidas, teve como principal finalidade o estabelecimento de um corpus que fixasse um património linguístico ameaçado, como é expressamente referido pelos autores. Porém, a evolução da língua mirandesa como língua literária, em sentido moderno, não tem parado, apesar de a pouca difusão das suas obras tornar tal realidade menos evidente. Também do ponto de vista literário não há línguas menores, porque nenhuma língua é, à partida, inferior a qualquer outra e a nenhuma está negada a capacidade de expressão literária elevada e não apenas tradicional ou popular. É neste contexto que deve ser encarado o surto de literatura mirandesa a partir dos anos 90 do século XX, e o surgimento de autores como Alcina Pires, Alfredo Cameirão, Amadeu Ferreira (e dos seus pseudónimos Fracisco Niebro, Marcus Miranda i Fonso Roixo), António Bárbolo Alves, Bina Cangueiro, Carlos Ferreira, Domingos Raposo, Duarte Martins, Emílio Martins, Faustino Antão, José Francisco Fernandes, Manuel Preto, Marcolino Fernandes, Rosa Martins, Válter Deusdado. Várias das obras destes autores estão dispersas por jornais e revistas, mas também por sítios e blogs na internet, onde outros autores têm vindo também a fazer o seu caminho. A estes autores devem acrescentar-se vários escritores jovens que se têm revelado nos jornais escolares e na revista La Gameta.
A capacidade de gerar literatura em vários níveis e em diversos géneros tem sido seguramente um dos modos de afirmação da língua mirandesa.


Qual a importância da língua mirandesa PARA Portugal?
A preservação das chamadas línguas minoritárias tem vindo a tornar-se uma evidência para cada vez maior número de pessoas. Mas esse é sobretudo um imperativo orientado a preservar uma parte indispensável do património cultural da humanidade. Daí que todo o processo de defesa e promoção da língua deva ser encarado como uma exigência de cidadania da mais alta importância, que não tem apenas uma dimensão nacional, mas internacional.
A diversidade linguística e cultural é uma riqueza para Portugal, integrante da nossa identidade. Aceitando a verdade histórica e sociológica, Portugal deve apresentar-se como país bilingue e integrar essa referência nos programas das nossas escolas, dando a conhecer a todos os cidadãos a existência da lingua mirandesa, sua origem e características.
A democracia linguística é um elemento importante da democracia em geral, assente no respeito pela diferença. Não basta uma lei proclamatória, exigindo-se que o ESTADO concretize os compromissos que assumiu em lei, nos mais diversos domínios.
Além de um problema de dignidade dos seus falantes, as línguas são também um problema ecológico, entendido em sentido amplo, que a todos deve preocupar. Pela língua se exprimem culturas, tradições, saberes e modos de viver que são essenciais ao equilíbrio das sociedades e ao bem estar dos cidadãos. Também de Portugal. Se o mirandês desaparecer ninguém ganha nada com isso, mas Portugal, os portugueses e, dentre ESTES, os mirandeses ficam mais pobres.
Para os mirandeses e para todos os concelhos da terra de Miranda, em particular, o mirandês e a cultura mirandesa assumem-se também como um importante valor económico, que importa ter em conta numa região que está em profunda depressão económica e em acelerado processo de desertificação.
Pelo facto de falarem outra língua, os mirandeses não são menos portugueses que os outros, COMO o demonstra a sua história, nem nunca quiseram ser outra coisa senão portugueses. Hoje os mirandeses continuam a ser bilingues e a sua afirmação do mirandês não implica a negação do português. Defender, promover e desenvolver a língua mirandesa é um dever de cidadania que se impõe, nomeadamente a todos os mirandeses.

Sendim, 5 de Agosto de 2006
Amadeu Ferreira


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Uma Canção por Dia 4/12 - TAREIO - Douro Litoral - Brigada Victor Jara


Tareio lindo tareio
tareio lindo tareio.
Tareio do coração
Tareio do coração

E a senhora da saúde
E a senhora da saúde
No alto dos castelões (x3)

Tareio do coração
Quando eu morrer tareio
Levo-te no meu caixão
Levo-te no meu caixão

Onde ela estava nem via
Onde ela estava nem via
No mar as embarcações (x3)

Manhouce povo e antigo
Manhouce povo e antigo
Fica entre Porto e Viseu
Fica entre porto e Viseu

E a senhora da saúde
E a senhora da saúde
Tem um filho serrador (x3)


Fica entre Porto Viseu
Tem duas pontes romanas
Que lhe servem de museu
Que lhe servem de museu

Para serrar a madeira
Para serrar a madeira
Para o altar do senhor (x3)

Quando eu era rapaz novo
Quando eu era rapaz novo
Ate nem queria mais nada
Ate nem queria mais nada

E senhora da saúde
E senhora da saúde
Tem vinte e quatro janelas (x3)

Até nem queria mais nada
Era dançar o tareio
Mai-la minha namorada
Mai-la minha namorada

Quem me dera ser o sol
Quem me dera ser o sol

Que eu entrava numa delas (x3)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Uma Canção por Dia - OLÁ CHEGOU E BATEU - Algarve - Maio Moço



Ó minha mãe não me leve a Loulé
Que eu sou pequenino tenho medo de ir a pé

Olé chegou e bateu,
Olé chegou e bateu
Aqui neste baile só tu mais eu
Aqui neste baile só tu mais eu

Ó minha mãe não me leve a Olhão
Que sou pequenino tenho medo do papão

Ó minha mãe não me leve a Lagoa
Que eu sou pequenino tenho medo da canoa

Ó minha mãe não me leve a Quarteira
Que sou pequenino tenho medo da caneira

Ó minha mãe não me leve a Tavira
Que sou pequenino tenho medo o barco vira

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Uma Canção por Dia CANTIGA BAILADA Beira Baixa

Tenho à minha janela
Eras tão bonita, e eu já te não quero
O que tu não tens à tua
O que tu não tens à tua
Um vaso de manjerico
Eras tão bonita, e eu já te não quero
Que dá cheiro a toda a rua
Que dá cheiro a toda a rua

Adeus ó rua da ponte
Eras tão bonita, e eu já te não quero
Calçadinha mal sigura
Calçadinha mal sigura
E quando o meu amor passa
Eras tão bonita, e eu já te não quero
Não há pedra que não bula
Não há pedra que não bula
Ó ló ai la ri ló lé la //Ó ló ai la ri ló ló

As pedras do meu balcão
Eras tão bonita, e eu já te não quero
Estão todas a três a três
Estão todas a três a três
Os meus amores de algum dia
Eras tão bonita, e eu já te não quero
Já os cá tenho outra vez
Já os cá tenho outra vez

Ó ló ai la ri ló lé la //Ó ló ai la ri ló lóUna Canção por Dia 

BRIGADA VICTOR JARA


Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Brigada_Victor_Jara 
Brigada Victor Jara é uma banda portuguesa criada em 1975 por um grupo de jovens de Coimbra. O grupo mantém-se ainda em actividade tendo lançado o seu mais recente disco em 2006.

De início a Brigada reproduzia cantigas portuguesas e estrangeiras de cariz revolucionário com que participavam nas campanhas de dinamização cultural do MFA. Nomeados em memória do cantor chileno com o mesmo nome, morto pelos militares após o golpe de Pinochet, no Chile.
Em 1977 editam o disco Eito Fora - Cantares Regionais que assinala um novo tempo na música urbana inspirada na música regional. O grupo que gravou o primeiro disco, editado pela Mundo Novo (editora associada à editorial Caminho), era formado por Né Ladeiras, Jorge Seabra, José Maria Vaz de Almeida, Fernando Amilcar, Jorge Santos, João Ferreira e Joaquim Caixeiro.
No ano de 1978, o grupo desloca-se pela primeira vez para fora de Portugal indo à União Soviética onde participa nas comemorações do 25 de Abril.
O álbum seguinte, "Tamborileiro", é editado no ano de 1979. No ano seguinte actuam nos Festivais Internacionais de Sokolov (Checoslováquia) e de Berlim (RDA). Em Angola actuam nas comemorações do 25 de Abril, na Festa do " L'Unitá" (Itália) e em espectáculos para Associações de Emigrantes radicados na Holanda.
O disco "Quem Sai Aos Seus foi editado em 1981 através da Vadeca. Em 1982 é lançado o álbum "Marcha dos Foliões". Recebem o prémio de "Melhor Conjunto do Ano" atribuído pela revista Nova Gente.
Fazem uma digressão em França que passou pelas cidades de Grenoble, Nice, Marselha e Tours, no ano de 1983.
No ano seguinte foi editado o álbum "Contraluz". A Vadeca lança a colectânea "10 Anos a Cantar Portugal". Regressam a França, a convite da Associação França/Portuga, para actuar em Pau, Tarbes, Toulouse e Bordéus.
Comemoram o seu 10º aniversário com espectáculos no Teatro Académico de Gil Vicente (Coimbra) e na Aula Magna de Lisboa, com a participação do GEFAC. Deslocam-se aMacau para as Comemorações do 10 de Junho de 1985. Actuam na Bulgária, no Festival Internacional da Juventude, e na Grécia com espectáculos em Larissa, Salónica, Volos e Atenas.
No ano de 1986 apresentam-se, a convite do G.L.C., em Londres, com o espectáculo "A Raiz e o Tempo". Em Maputo (Moçambique) participam no Festival Internacional de Música "Festa Maio".
Durante o ano de 1987 realizam uma digressão pela Holanda, com "A Raiz e o Tempo", que passou por Roterdão, Haia e Amesterdão. Na Galiza participam num espectáculo de homenagem a José Afonso. Deslocam-se à Ilha de Santa Maria, nos Açores para participar no Festival Internacional "Maré De Agosto".
Em 1988 participam na "Quinzena de Cultura Portuguesa" em Grenoble (França) e nas comemorações do 10 de Junho em Caracas (Venezuela). Vão aos Açores onde dão espectáculos em Santa Maria e no Pico. Em Dezembro desse ano actuam novamente em Pau (França), a convite da Associação França/Portugal.
Em 1989 é editado o LP "Monte Formoso" através da MBP. Participaram no "XIII Festival Mundial da Juventude" realizado em Pyong-Yang (Coreia Do Norte). O espectáculo "Monte Formoso", dedicado a José Afonso, contou com a colaboração do GEFAC e da Companhia de Teatro Bonifrates.
Em 1990 actuam em Paris aquando das comemorações do 25 de Abril. Dão vários concertos no Arquipélago dos Açores e em Dezembro participam num espectáculo realizado em Ourense, na Galiza.
Regressam a França, em 1991, para vários concertos nas cidades de Grenoble, Vienne e Saint Ettienne. Deslocam-se também aos Açores para vários concertos e em Julho fazem um concerto em Moaña, na Galiza.
Durante o ano de 1992 actuam em França, Inglaterra, País de Gales e Canadá. Participam no I Festival do Noroeste com concertos em Caminha e A Guarda. Actuam ainda emSantiago de Compostela.
Em 1993 deslocam-se novamente ao Reino Unido para participar em festivais realizados em Beverley, Bradford, Bracknel e Glasgow.
Participam na compilação "Filhos da Madrugada", de homenagem a José Afonso, editado em 1994, e actuam no Estádio de Alvalade num concerto com as restantes bandas presentes nesta compilação. Participam ainda nas gravações da "Ópera do Bandoleiro" juntamente com o grupo Trigo Limpo-ACERT e os brasileiros Quinteto Violado. O disco "Contraluz" é reeditado em CD. Em Abril participam no concerto do Grupo de Guitarras e Cantares de Coimbra, realizado no Grande Auditório do CCB, por ocasião das comemorações dos 40 anos de carreira de António Brojo e António Portugal. Actuam na Madeira, Bélgica e Macau.
Em 1995 é lançado o disco "Danças e Folias". Actuam ao vivo em Coimbra (Teatro Académio Gil Vicente e Festival José Afonso), Lisboa (Teatro São Luíz), Açores e Galiza. A editora Farol reedita o disco "Eito Fora" em CD.
Em 1996, o grupo actua no encerramento do Festival Intercéltico (Porto) onde recebem um prémio pelos seus 20 anos de defesa e divulgação da Música Tradicional Portuguesa. Realizam vários espectáculos em Espanha, Açores e Madeira e ainda no Festival Português de Massachusetts, nos Estados Unidos. O disco "Monte Formoso" é reeditado pela editora Farol.
Deslocam-se várias vezes à Galiza, durante o ano de 1997, para participar em Festivais de Música, como os de Liméns, San Miguel de Sarandon e de Cangas do Morraço. EmAlcañices participam nas Comemorações do Tratado. Em Agosto são considerados o melhor grupo participante no Festival da Ile de Tathiou, na França. Em Agosto deslocam-se aos Açores para um concerto na Povoação (Ilha de São Miguel).
Em Abril de 1998 participam num Festival em Ferrol, na Corunha. Participam depois nas Comemorações do 10 de Junho, em Macau, onde realizam três concertos. Actuam em Itália, nos Festivais "Sete Sóis Sete Luas" e "Mundus", e em Espanha nos festivais de Mondariz, Gexto (Bilbao) e Múrcia. Em Setembro actuam na Expo 98 num espectáculo que contou com a participação do GEFAC.
Em Abril de 1999 actuam em Trento e Roveretto, na Itália, por ocasião do "Trentino-Portogallo". Realizam também dois concertos em Salvador da Bahia, integrados nas comemorações dos 450 Anos da Cidade da Bahia e actuam também, em Outubro, por ocasião do 64º Aniversário da Casa de Portugal de São Paulo.
Comemoram o seu 25º aniversário em Abril de 2000. Dão um concerto especial no Teatro Académico Gil Vicente (Coimbra) e recebem a Medalha de Mérito Cultural atribuída pela Câmara Municipal de Coimbra. É editado o duplo CD ao vivo "Por Sendas, Montes e Vales" e é reeditado o disco "Marcha dos Foliões".
"Novas vos Trago" é o nome de um disco com a participação de Amélia MugeSérgio GodinhoGaiteiros de LisboaJoão Afonso e Brigada Victor Jara onde são interpretados dois "romances", género de música portuguesa de transmissão oral espalhado por várias partes do mundo. O grupo apresenta duas versões do Romance "Parto Em Terras Distantes".
Em 2001 deslocam-se a França para actuar no Festival Chorus de Chaville e no "Saison Culturelle" de Vanves. Actuam no Festival "Músicas do Mundo" em Sines e deslocam-se ao Brasil, a convite da Casa de Portugal de São Paulo.
Deslocam-se a Espanha em 2002 para actuações em Madrid e em Salamanca, este por ocasião da Capital Europeia da Cultura.
Começam o ano de 2003 com a gravação de 12 temas ao vivo para o documentário "Povo que Canta". Actuam no Festival Intercéltico (Porto) e em Arcos de Valdevez. Em Setembro de 2003, durante a Festa do Avante, lançam um CD-Single com temas do seu próximo álbum.
Em 2004 deslocam-se a França e em 2005 actuam no Festival Músicas do Mundo em Sines e em Mérida. Comemoram os seus 30 Anos com um espectáculo no Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra.
Em Outubro de 2006 foi editado o disco "Ceia Louca" que conta com participações especiais de Lena d'ÁguaJorge PalmaManuela AzevedoCarlos MedeirosVitorino Salomé,Segue-me à CapelaCristina BrancoRita MarquesJanita Salomé e Carlos do Carmo.
Em 2007 a Câmara Municipal da Amadora atribui o Prémio José Afonso à Brigada Victor Jara com o álbum "Ceia Louca".

Álbuns

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Uma Canção por Dia 1/12 - MARIA DA FONTE - Vitorino

Viva a Maria da Fonte
Com as pistolas na mão
Para matar os cabrais
Que são falsos à nação
É avante Portugueses
É avante sem temer
Pela santa Liberdade
Triunfar ou perecer
Viva a Maria da Fonte
A cavalo e sem cair
Com as pistolas à cinta
A tocar a reunir
Já raiou a liberdade
Que a nação há-de aditar
Glória ao Minho que primeiro
O seu grito fez soar
A REVOLUÇÃO DA MARIA DA FONTE
Fonte: http://www.arqnet.pt/dicionario/mariafonte.html
Assim se chamou a revolução que rebentou no Minho em Maio de 1846 contra o governo de Costa Cabral, mais tarde conde e marquês de Tomar. A causa imediata da revolta foram umas questões de recrutamento, e a proibição dos enterramentos feitos dentro das igrejas, em que desempenhou um papel irrequieto e activo uma desembaraçada mulher das bandas da Póvoa de Lanhoso, conhecida pelo nome de Maria da Fonte. Os tumultos multiplicaram-se, tomando afinal as proporções sérias duma insurreição, que lavrou em grande parte do reino. 
A rainha D. Maria Il, assustada com esta insurreição verdadeiramente popular, viu-se obrigada a demitir o ministério cabralista, chamando ao poder o duque de Palmela e Mousinho de Albuquerque, mas, quando ,julgou que abrandara assim a revolução, e que o duque da Terceira, que nomeara seu lugar tenente nas províncias do norte do país, poderia reprimir as indignações do povo e estabelecer ali a paz, deu o golpe de Estado de 6 de Outubro de 1846, e sem nomear Costa Cabral, formou um ministério pronunciadamente cartista, presidido pelo marechal Saldanha. Esta notícia foi transmitida ao Porto pelo administrador de Vila Franca, e excitou a cólera dos portuenses. Rebentou então a revolta com espantosa energia, o duque da Terceira foi preso, e nomeou-se uma junta provisória, cuja presidência se deu ao conde das Antas e a vice-presidência a José da Silva Passos, que era a alma da revolta, e irmão do grande ministro progressista Manuel da Silva Passos. O visconde de Sá da Bandeira apareceu no Porto, aderindo à revolução. A Junta do Porto é verdade que legislava em nome da rainha, e fazia-lhe manifestações de dedicação, mas o espírito popular estava sendo nessa ocasião bem pouco simpático à soberana, que desta vez tomara a iniciativa da contra-revolução, dando o golpe de Estado de 6 de Outubro. O Espectro,jornal redigido por António Rodrigues Sampaio, e que se publicava em Lisboa, sem que a polícia conseguisse descobrir a imprensa que o imprimia nem os seus redactores, atacou pessoalmente a rainha pela sua intervenção nefasta na politica partidária. 
A Junta do Porto, apesar de dispor de vastíssimos recursos, não era feliz, por causa da imperícia dos seus generais. Sá da Bandeira era batido em Vale Passos pelo barão do Casal; o conde de Bonfim era completamente batido em Torres Vedras pelo marechal Saldanha, em Dezembro de 1846, batalha em que foi morto o general Mousinho de Albuquerque; Celestino era destroçado em Viana do Castelo pelo general Schwalbach, o barão de Casal tomara Braga, os marinheiros de Soares Franco tomaram Valença e Viana do Castelo. Ainda assim a insurreição era tão forte, que, para se lhe pôr termo, foi precisa a intervenção estrangeira. Uma esquadra inglesa aprisionou a esquadra da Junta com a divisão do conde das Antas que ia a bordo, e um exército espanhol, do comando de D. Manuel Concha, foi ocupar o Porto. Ao mesmo tempo as tropas da Junta, comandadas pelo visconde de Sá da Bandeira, eram batidas no Alto do Viso pelo general Vinhais. A convenção de Gramido. de 30 de Junho de 1847, pôs fim a essa terrível insurreição, que tanto assustara a rainha, que nem sempre mostrou com os vencidos a clemência que se poderia esperar da sua generosidade. A revolução da Maria da Fonte é um dos episódios mais importantes da nossa história politica do século passado. Foi nesse movimento que muito se salientaram homens, que se tornaram muito populares, como os dois irmãos Passos, Rodrigo da Fonseca Magalhães, José Estêvão Coelho de Magalhães, Manuel de Jesus Coelho, etc. 
O maestro Ângelo Frondoni compôs por essa ocasião um hino popular, que ficou conhecido pelo nome de Maria da Fonte ou do Minho, que respirava um certo entusiasmo belicoso; e por muito tempo foi o canto de guerra do partido progressista em Portugal. Camilo Castelo Branco escreveu um livro com o título Maria da Fonte, que trata minuciosamente deste assunto. São também interessantes os Apontamentos para a historia da Revolução do Minho em 1846 ou da Maria da Fonte, pelo padre Casimiro. Na Biblioteca do Povo e das Escolas, o n.º 167 é a história da Revolução da Maria da Fonte, pelo Sr. João Augusto Marques Gomes. Um dos PRIMEIROS TRABALHOS do romancista Sr. Rocha Martins intitula-se Maria da Fonte.


Transcrito por Manuel Amaral